PREDESTINAÇÃO: COLETIVA OU INDIVIDUAL? | Ministério Graça sobre Graça

 

  PREDESTINAÇÃO: COLETIVA OU INDIVIDUAL?

PREDESTINAÇÃO: COLETIVA OU INDIVIDUAL?

Por Cristiano França

 

“E aos que predestinou, a estes também chamou…” (Romanos 8:30)

 

Quando a verdade vai contra as convicções de uma pessoa, seja qual for a área da vida em questão, o indivíduo, em geral, tem dois caminhos: mudar de opinião (o que em diversos aspectos denota grande inteligência) ou inventar a sua própria verdade, adaptando o fato àquilo que seu ego quer que seja a “realidade”. Assim, muitas inverdades são vendidas como verdades absolutas e, infelizmente, acabam sendo compradas por muitos como se fossem indiscutivelmente reais.

 

No caso da relação do sistema religioso com a predestinação é exatamente isto que acontece. Afinal, sabemos que as doutrinas da eleição e soberania de Deus (que juntas redundam no entendimento geral da predestinação) são incontestavelmente bíblicas. Não há como negar que a predestinação – não só a palavra, mas, principalmente, a ideia – está visivelmente declarada na Palavra de Deus, ao contrário do famigerado “livre-arbítrio” humano para Salvação que não encontra respaldo nos textos bíblicos – sequer a revelação da Graça contida na Bíblia cita tal palavra.

 

O ego do ser humano não aceita que ele não tenha o “direito” de escolher se quer pertencer a Deus ou não. O homem quer o controle de tudo. Assim, o sistema religioso fomenta esta altivez da carne ao propagar a falsa doutrina do “livre-arbítrio” humano para Salvação. Crer na livre escolha do homem em relação a Deus é o mesmo que acreditar que um vaso de barro possa escolher o seu formato, a sua cor, o seu uso e o local onde ele vai ornamentar. Isto seria um absurdo, pois o oleiro (quem cria os vasos) é quem define o destino e o uso de suas criações. Será que foi por acaso que o apóstolo Paulo usou justamente esta analogia dos vasos para ensinar sobre a predestinação? (Romanos 9:14-23) Não obstante nós termos inteligência (ao contrário de um vaso de barro de verdade), a nossa perspicácia e nossas escolhas se resumem a esta vida terrena, nada tendo a ver, portanto, com o livre-arbítrio para Salvação que pertence unicamente a Deus. Ou seja, a fronteira de nosso arbítrio é a vontade Soberana daquele que nos criou e nos conduz.

 

Dentro do sistema religioso há, pelo menos, duas vertentes contrárias à predestinação: os que a negam veementemente (mesmo com todo o respaldo bíblico que esta doutrina apresenta) e aqueles que não a negam, mas querem adaptá-la à “verdade” deles, como eu falei no início do texto. É deste segundo grupo que quero tratar neste texto.

 

A interpretação dada à predestinação que diz que ela é coletiva e não individual, é uma tentativa doentia do sistema religioso de adaptar a verdade de Deus à sua visão. Este triste entendimento dá conta de que Deus não predestinou as pessoas individualmente, mas a coletividade, o grupo, no caso, a Igreja. Neste caso, qualquer um pode participar deste grupo, bastando para isto “aceitar a Jesus”. Ou seja, segundo esta visão, qualquer indivíduo pode “se tornar” um predestinado por sua própria vontade e não pela vontade de Deus. Contudo, será que o apóstolo Paulo – quem mais ensinou sobre predestinação – pensava assim?

 

“…a fé não é de todos.” (2ª Tessalonicenses 3:2)

 

Como acabamos de constatar, Paulo não acreditava que qualquer um pudesse entrar no grupo dos predestinados. Segundo os ensinos do apóstolo da Graça, a fé pertence somente aos eleitos, àqueles que foram individualmente escolhidos por Deus.

 

O trato de Deus com Seu povo é individual, sempre foi. Não é por acaso que “…cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.” (Romanos 14:12). Quando estivermos perante o Senhor para recebimento do Galardão, vamos prestar contas individualmente e não de maneira coletiva. Outro exemplo: em tese, Deus predestinou os hebreus (o grupo todo) como sendo Seu povo, mas veja o que Paulo diz:

 

“…nem todos os que são de Israel são israelitas” (Romanos 9:6).

 

Isto é, não basta pertencer à coletividade do povo eleito (em nosso caso, pertencer à coletividade da Igreja); tem que ser verdadeiramente de Deus (escolhido desde antes da Criação, de maneira individual) para ser um predestinado verdadeiro. E isto, claro, depende de Deus e não da vontade humana (João 1:12-13; Romanos 9:16; Efésios 1:5).

 

O golpe mortal nesta ideia absurda de “predestinação coletiva” é o fato de Paulo usar o caso dos gêmeos (Jacó e Esaú) como exemplo de predestinação individual: ambos nasceram do mesmo ventre, na mesma ocasião, mas Deus amou um (eleito) e o outro não (Romanos 9:11-14). Este é o maior exemplo do trato individual que Deus tem com Seu povo, especialmente na questão da Salvação eterna.

 

 

 




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