POR QUE A PALAVRA DA GRAÇA NÃO AVANÇA MAIS? | Ministério Graça sobre Graça

 

  POR QUE A PALAVRA DA GRAÇA NÃO AVANÇA MAIS?

POR QUE A PALAVRA DA GRAÇA NÃO AVANÇA MAIS?

Por Cristiano França

 

JÁ FAZ ALGUM TEMPO QUE VENHO REFLETINDO e buscando respostas para a pergunta apresentada acima, no tema, e minhas reflexões resultaram em algumas conclusões que pretendo apresentar aqui neste texto.

 

O nosso Ministério, que é um dos mais recentes a pregar a Palavra da Graça, completou ONZE ANOS de existência em 2016. Antes de nós havia outros ministérios que, se ignorarmos as particularidades dos líderes e as heresias, podemos dizer que, de certa forma, já pregavam a Graça. Falo desta maneira, porque, infelizmente, todos os ministérios que antes do MIGG tinham o apostolado de Paulo como referência (pelo menos os que eu conhecia) possuíam em suas mensagens vários fermentos misturados às doutrinas da Graça, a saber: dízimo, “línguas estranhas” (ao estilo pentecostal), “cair no poder de Deus”, inferno espiritual, ensinos que futurizam as profecias de Jesus de Nazaré sobre o “fim do mundo”, “Santa Ceia”, diabo, líderes se dizendo o "próprio Deus” ou o “Rei que reina com Justiça”, entre outras aberrações. De qualquer forma, vamos deixar de lado os fermentos e admitir que os ministérios anteriores ao MIGG (repito: ao menos os que eu conhecia à época) pregavam — ou pelo menos diziam pregar — a Graça revelada a Paulo.

 

Se nosso Ministério já tem toda essa estrada, significa que há denominações que já pregam a Graça há mais de vinte anos - e outras próximas disso. Daí, surge a pergunta: por que a Mensagem da Graça, depois de tanto tempo, continua ainda escondida, como que em um gueto? Posso estar errado, mas a impressão que eu tenho é esta. É claro que quando começamos, a visão que evidencia as benesses da Nova Aliança era ainda bem menos difundida. Mas, o sentimento que tenho é que a Mensagem da Graça contida nas Quatorze Epístolas de Paulo continua “encoberta”; é algo que ainda não “caiu na boca do povo”, com se diz na gíria. Com toda certeza, a grande maioria das pessoas no mundo — sejam evangélicas, católicas ou de outras crenças — JAMAIS ouviu falar da Palavra da Graça.

 

“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? Como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: ‘Quão formosos os pés dos que anunciam o Evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas’.” (Romanos 10:14-15)

 

É óbvio que esta pouca difusão da Graça tem um motivo (ou vários!). Alguns defendem que o fato de não haver uma unanimidade (uma espécie de concílio das igrejas em Graça) é uma dificultação ao avanço da Mensagem. Mais uma vez eu posso estar errado, mas não consigo concordar com esta tese, porque o movimento evangélico ou protestante está LONGE de ser unânime em suas doutrinas e isto não impede o crescimento deste segmento do cristianismo, apesar de suas diversas “versões”.

 

É claro que se houvesse uma união dos ministérios que arrogam a posição de edificadores do fundamento que Paulo deixou, isto não seria prejudicial. Ao contrário. Creio que seria bom de alguma forma. Contudo, não consigo ver como possível um “concílio das igrejas em Graça” por motivos que não vêm ao caso agora (talvez fale disso em outra oportunidade). Mas, como já disse, não vejo isto como um impedimento ao amplo avanço da Palavra da Graça. Há motivos que, a meu ver, são mais graves e que realmente prejudicam e impedem o progresso mais contundente da Verdade de Deus para esta Nova Aliança.

 

Certa vez um irmão entrou em contato comigo e perguntou se o fato de a Graça não avançar mais não seria por causa do que Jesus de Nazaré falou sobre os “poucos escolhidos” (Mateus 22:14). Vou transcrever a seguir uma parte da resposta que mandei a ele:

 

“Eu sempre tomo cuidado com esta passagem bíblica, pois o contexto se refere aos hebreus (Jesus, na verdade, falava deles e não da humanidade toda). De qualquer forma, mesmo que Jesus estivesse falando de toda a humanidade, ainda assim, os ‘poucos’ seriam MUITO MAIS do que os que atualmente estão em Graça. A minha questão, na verdade, não é por que as pessoas ‘recebem pouco’ a Graça, mas, sim, por que a Mensagem da Graça, enquanto doutrina, não avança mais, não está mais na mídia, não é mais discutida. Por exemplo: a Graça, que eu saiba, sequer é estudada em faculdades de teologia como uma ‘opção válida’ de doutrina cristã. Não é que as faculdades teológicas tenham algum tipo de importância — não têm mesmo! —, mas isso demonstra que a Graça ainda é muito pouco conhecida (independente se Ela é bem recebida ou não pelas pessoas).”

 

Seguem abaixo os três principais motivos que, em minha opinião, são determinantes para o pouco avanço da Palavra da Graça.

 

1) FALTA DE ZELO COM A CAUSA DO REINO.

 

Paulo disse aos romanos: “Nunca lhes falte o zelo...” (Romanos 12:11 - Nova Versão Internacional). Não foi à toa que o apóstolo dos gentios falou isso. Infelizmente, quando conhecem a liberdade da Graça, muitos se deixam levar pela carne (Gálatas 5:13) e abandonam o compromisso com a Obra do Reino: não querem se envolver e se comprometer com o trabalho ministerial, raramente buscam congregar, enfim. O CORRETO é que, após conhecermos a verdade do Novo Pacto, o nosso empenho se multiplique exponencialmente (ao menos foi o que ocorreu comigo e, certamente, também com vários irmãos de nosso Ministério).

 

2) FALTA DE COMPROMETIMENTO FINANCEIRO DOS QUE DIZEM ESTAR “EM GRAÇA”.

 

Lamentavelmente, a liberdade que acabei de citar acima acaba também influenciando o comprometimento na área financeira. A genuína Graça apregoa o fim da prática do dízimo, já que este tem relação apenas com o Antigo Pacto e o povo hebreu. Com o entendimento de que estamos LIVRES deste mandamento, muitos que antes davam nas igrejas do sistema religioso, além do dízimo, ofertas alçadas, carnê do aluguel, envelope do sacrifício, entre outros, hoje contribuem em Graça apenas com o que resta de seus vencimentos — e muitos outros (a maioria, acredito) sequer contribuem. Não são todos, é claro, mas a constatação é triste: SÃO MUITOS! Com isso, vários projetos de evangelização estão engavetados por falta de recursos e isto, evidentemente, faz com que a Palavra não avance mais. Que fique claro: o fato de lutarmos contra a prática do dízimo não quer dizer que não precisamos de recursos; significa que queremos viver na Verdade. Não precisamos da Lei para entendermos que é necessário manter o Ministério e, acima de tudo, fazê-lo crescer.

 

3) EGOÍSMO DE MUITOS QUE SE DIZEM “EM GRAÇA”.

 

O conhecimento da Graça não nos foi dado para que o guardemos para nós. Porém, muitos não se preocupam em levar a Palavra às pessoas, principalmente as mais próximas. Não falam da Graça para os amigos, familiares, colegas de trabalho, de escola etc. Desta forma, várias pessoas que poderiam estar em Graça, nunca ouviram falar da Palavra Predestinada de Sabedoria. 

 

Será que já não passou da hora dos que dizem estar em Graça reverem seus conceitos?

 

“Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.” (1ª Coríntios 9:22)




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