O EVANGELHO E A EVOLUÇÃO DAS SOCIEDADES | Ministério Graça sobre Graça

 

  O EVANGELHO E A EVOLUÇÃO DAS SOCIEDADES

O EVANGELHO E A EVOLUÇÃO DAS SOCIEDADES

Por Cristiano França

 

“Ora, Àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho (...) conforme a revelação do mistério (...) agora manifesto (...) dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé.” (Romanos 16:25-26)

 

Como sabemos, o Evangelho da Graça que Jesus Cristo Ressuscitado revelou a Paulo no Paraíso (2ª Coríntios 12:4) tem um caráter absolutamente universal. Foi exatamente por esta característica da mensagem da Graça que Deus separou Paulo para lhe confiar o Ministério do Evangelho eterno. A pregação dos demais apóstolos era destinada aos judeus e tinha como principais objetivos fazê-los enxergar que Jesus era o Messias que tanto aguardavam e que, portanto, eles não precisavam mais esperar pelo Reino e prepará-los para o Juízo que se aproximava (e que se consumou no ano 70 depois de Cristo com a destruição de Jerusalém e a queda do templo da Lei). Exatamente por esta causa que Jesus de Nazaré os proibiu de pregar às demais etnias, ou seja, aos que não tinham sangue israelita ― a saber, os gentios:

 

 “A estes doze enviou Jesus, e ordenou-lhes, dizendo: não ireis aos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos.” (Mateus 10:5)

 

Não fazia sentido que se pregasse aos não judeus uma mensagem carregada da cultura e da Lei judaica e que lhes fosse transmitida a ideia de que já havia chegado o Messias, mesmo porque os gentios nunca esperaram por Sua manifestação. A universalidade da Mensagem da Graça que o apóstolo Paulo propagou, portanto, visava o alcance de todas as etnias, sem a necessidade de envolvê-las com as profecias específicas aos hebreus e com obras e cerimônias que só faziam sentido no Antigo Pacto.

 

Uma vez que a Mensagem do Evangelho da Graça não era apenas para os hebreus, mas, principalmente, para os gentios, é evidente que ela ultrapassa as questões culturais e temporais. Diferente da mensagem do Reino do Messias e do Juízo Final destinada aos judeus, a Mensagem da Graça transcende o Juízo ocorrido no ano 70, pois ela foi dada por Deus também para as futuras gerações, às quais nós hoje em dia, pela misericórdia do Eterno, estamos incluídos:

 

“Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, para mostrar, NAS ERAS QUE HÃO DE VIR, a incomparável riqueza de sua Graça, demonstrada em Sua bondade para conosco em Cristo Jesus.” Efésios 2:6-7 (Nova Versão Internacional)

 

Já fui bastante criticado por afirmar que a Mensagem do Evangelho, até certo ponto, precisa ser adaptada aos tempos e às sociedades. Como não tenho medo de críticas, eu mantenho esta minha posição. Afinal, seria impossível vivermos hoje em dia como nos tempos bíblicos. Se precisássemos impor às pessoas todos os conceitos, o contexto e o ambiente das sociedades da época em que o Velho Pacto e as epístolas da Nova Aliança foram escritos, a Mensagem de Cristo seria insuportável para nós e deixaríamos de viver a Sua essência, que é o que mais importa. Podemos usar o exemplo do caso das mulheres: muitas denominações até hoje as impedem de cortarem seus cabelos e (ou) exercerem liderança e o ministério do ensino baseadas no que Paulo as recomendou em sua época. Na época do apóstolo dos gentios fazia sentido impor tais conceitos às mulheres por causa daquela sociedade, a fim de se preservar o bom testemunho do Evangelho. Tais recomendações do apóstolo, no entanto, não cabem mais em nossos dias. Assim, nós adaptamos o texto bíblico à nossa geração, sem perdermos a essência do Evangelho de Cristo.

 

É evidente que há fundamentos que são pétreos na Palavra de Deus, ou seja, são diretrizes imutáveis que independem da época e dos conceitos de qualquer geração. Por exemplo: o amor ao próximo, a busca pelo bom testemunho, o envolvimento em boas obras etc.; contudo, é preciso ficarmos atentos com o deve ser atualizado para não tornarmos a mensagem cristã intolerável de modo que a sociedade que nos cerca deixe de viver o âmago do legado de Jesus Cristo.

 

 

 




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