GANHAR VIDAS PARA JESUS? COMO ASSIM? | Ministério Graça sobre Graça

 

  GANHAR VIDAS PARA JESUS? COMO ASSIM?

GANHAR VIDAS PARA JESUS? COMO ASSIM?

Por Cristiano França

 

“Pois que Deus estava em Cristo RECONCILIANDO CONSIGO O MUNDO, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação.” (2ª Coríntios 5:19)

 

Certa vez, ao acessar o Facebook, me deparei com uma postagem em minha timeline que era composta de uma foto que exibia a seguinte imagem: um homem sobre um palanque com um microfone em sua mão esquerda, atrás de um púlpito, que tinha uma multidão à sua frente. O palanque estava montado em uma praça pública e o tal homem — um “pastor” famoso — parecia estar realizando o famigerado “apelo” (convite para que as pessoas “aceitem” Jesus), pois ele estava com a mão direita levantada e estendida em direção às pessoas e havia um grande grupo destacado da multidão, que estava bem junto ao palco, todos com suas cabeças abaixadas. Na legenda da foto estava escrito algo como: “Muitas vidas ganhas para Jesus! Mais de mil e quinhentas pessoas se entregam a Cristo.” Quando li esta legenda, a primeira coisa que me veio à mente foi: “Meus Deus, quanta pretensão!”

 

Se pensarmos bem, é realmente uma pretensão muito grande achar que estamos “ganhando vidas” para Jesus. O cenário que este tipo de raciocínio apresenta é o Senhor lá no Paraíso roendo as unhas, sem poder agir, torcendo para que as pessoas O “aceitem”; é como se Cristo dependesse da vontade do homem e de nossos esforços aqui no mundo natural para que aqueles por quem Ele morreu sejam levados ao Paraíso. Um total absurdo! 

 

Eu também já fui pretensioso a respeito deste assunto. Como muitos sabem, eu sou pregador desde os meus quinze anos de idade e sempre fui orientado a fazer o “apelo” quando pregava. Meus líderes sempre diziam alguma coisa parecida com isto: “Cristiano, quando pregar, ao final da mensagem, faça o apelo para que você não fique com o sangue das pessoas em suas mãos, pois, se morrerem sem aceitar Jesus, elas se perderão e você será o culpado por não ter feito o convite a elas”. Assim, sempre que eu acabava de pregar, convidava as pessoas a aceitarem Jesus como Salvador de suas vidas.

 

Este tipo de prática que vemos até hoje na maioria das denominações não faz o menor sentido à luz do Evangelho. Primeiro, porque ninguém “aceita” Jesus. Ele não é um objeto, um pedaço de bolo ou um cafezinho que você pode aceitar ou não. Na realidade, foi ELE quem nos aceitou desde antes da fundação do mundo, nos predestinou e nos salvou. Tudo que se refere à Salvação foi feito somente por Ele, sem qualquer intervenção humana. Em segundo lugar, porque a Palavra diz que todas as coisas — e isto inclui todos os eleitos de Deus — já foram trazidas para Cristo, reconciliadas com Deus, por meio de Sua obra redentora na cruz realizada há dois mil anos atrás. Como pudemos constatar no versículo inicial do texto, “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”; logo, o kosmos (mundo no grego) — isto é, a criação como um todo —, já fora salvo para sempre.

 

“Para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra.” (Efésios 1:10)

 

Como acabamos de ler, na cruz todos que deveriam ser “ganhos” para Cristo (ou seja, salvos para a eternidade) já o foram. Todas as coisas já convergiram no Senhor. Então, não há mais nenhum salvo que precise ser levado a Ele; todas as ovelhas, independente de suas posições neste mundo, já estão nEle.

 

É claro que esta realidade, em função dos séculos de heresias do sistema religioso, suscita muitas perguntas. Uma delas é esta: “Então, por que devemos pregar?”. Nós pregamos, mas não para “ganhar as pessoas para Jesus”, pois isto Ele já fez. Nós pregamos para que o entendimento daqueles que já foram reconciliados e convergidos nEle se liberte do sistema mundano (religiões em geral, obras da Lei, filosofias humanas, obras da carne etc.) e os escolhidos possam, assim, servir ao Senhor Jesus Cristo em espírito e em verdade.

 

 




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