A CONGREGAÇÃO E O CULTO RACIONAL | Ministério Graça sobre Graça

 

  A CONGREGAÇÃO E O CULTO RACIONAL

A CONGREGAÇÃO E O CULTO RACIONAL

Por Cristiano França

 

“Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Romanos 12:1)

 

Precisamos sempre ter um cuidado redobrado com certas doutrinas que chegam até nós, principalmente hoje em dia com a Internet cada vez mais popular, possibilitando a qualquer pessoa publicar qualquer coisa. O fato de a Internet dar voz às pessoas de quase todas as classes sociais e com todos os tipos de pensamentos é, no meu modo de ver, algo realmente muito bom; mas, apesar de esta facilidade de comunicação possibilitar a circulação de boas ideias, os raciocínios que são contrários ao conhecimento de Deus (2ª Coríntios 10:5) também ganham repercussão e, com isso, muitos têm se confundido e, consequentemente, passam a seguir diversas heresias.

 

Tem circulado na Internet há bastante tempo a ideia de que “não se deve mais congregar”. Segundo os defensores de tal tese a prática de se reunir como Igreja seria algo “da Lei”, “ultrapassado” e, portanto, que não caberia na Nova Aliança. Até onde sei, este pensamento vem do entendimento de que não existe mais templos de alvenaria. Com isto eu concordo. O conceito de templo neste Novo Pacto é totalmente diferente do período anterior à cruz. Antes, havia o Templo da religião judaica ― que fora destruído no ano 70 depois de Cristo ―, onde os sacrifícios eram oferecidos e onde Deus Se manifestava. A adoração e, consequentemente, o culto tinha total relação com aquele ambiente. Com o fim da Lei, o templo passou a ser o povo de Deus. Ou seja: NÓS somos o Templo!

 

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1ª Coríntios 3:16)

 

Além disso, alguns apelam para a etimologia da palavra ekklésia (igreja em grego), uma vez que este vocábulo, segundo os “desigrejados”, significaria “chamados para fora”. O problema é que esta é uma meia-verdade. Como já expliquei em outras oportunidades, a palavra grega ekklésia, na realidade, era usada para se referir a uma reunião de pessoas que eram ― vejam só! ― chamadas para fora de suas casas a fim de se reunirem em praças públicas para deliberarem sobre assuntos que diziam respeito a algo comum para elas. Então, “igreja” significa de fato REUNIÃO e não dispersão.  

 

Os que defendem a ideia de que não devemos congregar também apregoam uma das maiores heresias modernas, a saber, a tese que diz que “EU SOU A IGREJA”. Francamente, este conceito não existe em nenhum ponto dos textos bíblicos. O que a Palavra nos ensina é que *NÓS* SOMOS A IGREJA. Ou seja, a Eclésia é o conjunto. Individualmente somos apenas os membros:

 

“Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo.” (1ª Coríntios 12:27 ­― NVI)

 

Não há dúvidas de que Paulo incentivava as reuniões das igrejas. Isto pode ser facilmente comprovado em seus escritos. Só este fato já derruba a tese de que se reunir seja errado na Nova Aliança, já que o apóstolo dos gentios fora o precursor da Mensagem da Graça. Quando Paulo escrevia suas cartas ele tinha o objetivo (na maioria delas) de se comunicar com a coletividade. Quando escrevia a uma igreja ele queria falar a todos que compunham as comunidades cristãs destinatárias de suas epístolas. E quando ele fala aos romanos sobre o culto racional (versículo inicial deste texto), ele faz uma clara ― talvez não tão clara para os “desigrejados” ― referência à importância das reuniões para a realização do Culto ao Deus Vivo. De acordo com a visão de Paulo, o culto racional era fruto, antes de tudo, da atitude de apresentarmos nossos corpos em sacrifício vivo (neste momento o apóstolo faz um jogo de palavras para aludir aos sacrifícios oferecidos na Lei, que eram animais mortos). Agora pense que aquela carta fora lida na reunião dos romanos. Agora, pense mais um pouco: imagine-se participando daquela reunião e ouvindo a leitura da carta de Paulo onde ele diz que devemos nos apresentar corporalmente para cultuarmos a Deus. A que conclusão você chegaria? Ora, sem dúvidas, esta: “preciso me apresentar e estar junto, formando a Eclésia, para cultuar ao meu Senhor”. Em nosso Ministério nós oferecemos a inúmeros irmãos a possibilidade de congregar pela Internet e muitos abençoados, há anos, desfrutam deste privilégio. Portanto, neste momento alguém pode estar se perguntando: “Com este entendimento, congregar virtualmente não seria errado?”.

 

Como está claro no versículo citado no início do texto, Paulo afirma que é necessário apresentarmos nossos corpos para oferecermos o nosso Culto. Quando pensamos que o apóstolo estava escrevendo a uma congregação (ou seja, para um grupo de pessoas, a Eclésia de Jesus localizada em Roma) fica muito tangível a ideia de que ele estava se referindo ao ato de se reunir. Em outras palavras, Paulo estava dizendo: “vocês precisam estar juntos como igreja que são para oferecerem seu culto racional ao Espírito de Deus”. Eu não tenho qualquer dúvida disto, pois o próprio conceito de Igreja ― como já vimos no texto  ― diz respeito a estar reunido. Neste caso, nós entendemos que quem está conosco na transmissão TAMBÉM ESTÁ REUNIDO. Claro que este é um conceito moderno (por isso obviamente não aparece na Bíblia), mas é a nossa realidade atual e certamente futura. Quantas REUNIÕES de trabalho hoje em dia não ocorrem pela Internet? Até alguns atos relacionados à Justiça atualmente são feitos via Skype. Neste caso, nosso Ministério oferece a inúmeros irmãos a oportunidade de oferecerem seus cultos racionais em Graça por meio da transmissão feita pela rede mundial de computadores. Sempre frisamos que o ideal seria que todos que congregam conosco estivessem fisicamente juntos, mas, como muitos não têm a oportunidade de ter uma congregação que pregue a genuína Graça próxima às suas residências, as pessoas podem e devem apresentar seus corpos diante da transmissão, cantarem a Deus conosco, aplaudirem o Eterno e receberem a Palavra da Graça em seus entendimentos. Afinal, a tecnologia atual nos permite estar juntos mesmo quando estamos distantes geograficamente. Além do mais, o apóstolo Paulo deixa muito claro que, mesmo estando distantes fisicamente, estamos sempre juntos espiritualmente:

 

“Ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo.” (Colossenses 2:5)

 

 




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